A agroindústria brasileira X Bush

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10/07/2008 - 19:49

Agroindústria Brasileira

Já estava criando esse tópico a um tempo mas nunca terminava a edição. Foi quando soube da vinda de Bush ao Brasil, no dia das mulheres (8 de março)

 

Obs.: Esse post é resgatado de 2007..

 

Pessoalmente, achei ridículo. Leia para entender…

 

    A Agroindústria Brasileira Vou ser bem curto e claro. O Brasil é imbatível na produção agrícola. Nenhum país tem capacidade de competir e chegar aos pés do Brasil. Isso porque o país é abençoado por Deus, terras ricas e extensas. Climas perfeitos para diversas atividades e poucos desastres. Como eu digo, o problema não está na falta de terras. Está na distribuição delas. Vamos voltar um pouco na história. Na década de 70, o governo criou o PIN, Programa de Integração Nacional. Um programa que tentou amenizar os problemas dos Sem-terras brasileiros. Como um exemplo, foi criado a Transamazônica, um caminho que levava os nordestinos além da fronteira amazônica. Inicialmente, foram doados lotes de terras, com extensões de até 10km além da estrada, para toda a família sem-terra. Muitos deles não conseguiram continuar nessas terras. Como eles iam plantar? Não recebiam fundos para grandes produções e sementes. Plantar o dedo? E mesmo que plantassem o dedo em cerca de 4 anos a produção iria declinar drásticamente. Isso porque, nos 3 primeiros anos, tudo o que for plantado dá certo. A produção começa a dar lucro e, quando se vê um futuro, pimba, a terra desabrota. O solo amazônico é coberto por uma pequena camada de terra rica, pois ali caem árvores, flores, frutos etc, enrriquecendo o solo. Mas logo abaixo é pura areia. E o que se planta em areia? Nem mesmo o próprio dedo. Assim muitos tiveram que alugar ou mesmo vender suas terras para voltar à fila dos sem-terra. Aí vem a jogada política. "Viu meu povo brasileiro, agente dá terras e eles cospem no prato que comem. Eles sim são uns safados." Mal sabe o povo os problemas vividos por alguns sem-terras. Então, para acabar com esse problema foi criado o PRONAF, PROgrama Nacional de Agricultura Familiar. Com esse programa o produtor consegue um empréstimo de até R$16.000,00. Com esse dinheiro, ele aplica no solo, na semente e na tecnologia. Então parte de seus lucros vão indo para o Programa, como se fossem parcelas, divididas em, no máximo, 3 anos. Agora sim a coisa começou a andar. Mas é um remendo em cima do outro.

 

Me fale, qual o objetivo da terra? Plantar, colher e habitar. Mas hoje ela virou especulativa. A terra é de direito de cada cidadão, mas hoje temos que comprar um pedaço dela. Comprar o que nos é de direito? Doar o que já é nosso? Sorte daqueles que acharam terras sem nome. Pegaram para si e fizeram dela um brinquedo.

    A Distribuição das Terras Brasileiras O Brasil tem dimensões continentais. Só Piauí tem o tamanho da Espanha. Existem fazendas maiores que a área do Equador e muitos países europeus. Vamos às contas. 50% dos produtores brasileiros detêem poder sobre 2% do território agrícola brasileiro. Menos de 3% dos produtores detêem cerca de 35% do território. Confuso? Vamos desenbarassar. A metade de todos os produtores do Brasil, têm apenas 2% das terras destinadas à produção agrícola. Vamos exemplificar com números. Digamos que existem 100 produtores agrícolas no Brasil e existem 100ha de área agrícola. 50 desses produtores tem no total apenas 2ha das terras. 3 dos produtores têm 35ha juntos. Isso mostra o que já foi confirmado: o Brasil está em 2° lugar no ranking de pior distribuição territorial agrícola. Os pequenos produtores estão incluídos nos que têm apenas 2% das terras. Eles produzem para abastecer o consumo interno. Já os grandes produtores destinam seus produtos para a exportação e utilizam áreas cada vez maiores para o plantio. O governo incentiva esse tipo de produtor, pois com a produção se gera divisas para o pagamento de juros e amortizações da tão grande Dívida Externa.

 

    O Protecionismo Isso que quebra o Brasil com suas exportações. O protecionismo é um método político/econômico adotado pelos países para garantir a produção interna. Isso incentiva o desenvolvimento de tecnologias no país, garante empregos no campo e protege a indústria e a agricultura contra os concorrentes estrangeiros. Veja dois exemplos: A PAC da UE PAC: Política Agrícola Comum européia. Defende a criação de um mercado único para livre circulação de produtos agrícolas dentro da Europa. Foi criado porque 45% de toda a verba da Europa é destinada à agricultura. Assim garante preços aos consumidores, aumenta a atividade agrícola, mantém um equilíbrio entre cidade e campo e garantir aos produtores um salário justo e honesto. Pensando no lado deles é uma maravilha. Economia cresce, preço diminui, salário aumenta e o ambiente agradece. Mas tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Pode não ser pro mesmo lado, mas sempre tem alguém que paga o pato. Os países que defendem o liberalismo como o Brasil. Vamos direto ao açucar, um ótimo exemplo para citar. Na Europa, o açucar é feito de beterraba. Aqui vem da cana. Lá o açucar é bem mais caro e a qualidade é menor. Então, teoricamente, Brasil teria grandes chances de se dar bem na exportação açucareira para a Europa. Mas essa não é a realidade. Com a PAC, o açucar brasileiro acaba tendo que enfrentar autos impostos e restrições para entrar lá. Então o brasileiro não consegue entrar no comércio da Europa.

 

    Os subsídios dos EUA Esse sim é uma sacanagem. Ainda mais depois da vinda do Bush ao Brasil, nesse 8 de março, dia das mulheres. Subsídio é uma forma de proteger a produção interna. O governo aplica parte de sua economia diretamente nos produtores para que o produto saia mais barato. Para exemplificar, vamos pegar o algodão. Nos EUA ele é produzido por US$:1,00, mas o governo paga ao produtor 84% desse custo, então o produtor arca com apenas US$:0,16 para produzir o algodão. O produto sai com um preço final muito pequeno. Isso arrasa com qualquer exportador. Agora, nessa visita do Bush, o Lula fala em acordos para que o Brasil possa entrar com sua exportação dentro dos EUA. Isso seria uma ótima coisa para nós. Muitos reclamam do Lula, mas não sei porque eu fui com a cara dele. Sei lá se é porque ele gosta de umas pingas tipo eu,ou então porque ele foi o único presidente a não deixar acumular a divida externa, já pagando boa parte dela e valorizando o Brasil com todo o exterior. O que foi ridículo desse encontro, não esquecendo do próprio Bush, foi a ministra dos EUA especular sobre metas para o BRASIL (e não para os EUA), onde o Brasil diminuiria a taxa de importações de 35% para 10%. Por isso que concordo com Hugo Chávez, HIPOCRISIA é foda!

 

Assim é show ler:

Presidente fala da visita de Bush

Hugo Chávez: "Bush veio só para dividir e enganar"

Protecionismo ou Liberalismo: onde estamos?

A distribuição justa da terra

 

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