Carta: Delírios de amor (para Ela)

Autor: Rafael Carvalho

25/02/2009 - 03:50

carta-de-amor

Este é apenas um desabafo. Se você está procurando curiosidades, coisas de photoshop ou qualquer outra coisa, navegue pelas categorias aqui do lado direito… Talvez a leitura desta carta seja chata para você.

wallpaper-sherek    Ainda lembro-me de quando tudo começou. Era quase fim de ano e estávamos sentados com a galera no banco da avenida. Para mim, aquele não era um dia tão animado. Lembro-me, ainda que vagamente, de um amigo pedir-nos para que comprasse-mos uma bebida. Talvez tenha sido esse o pedido que realizei com mais prazer em toda a minha vida. Foi na volta da nossa ida ao bar que tudo na minha vida se transformou e que ainda sinto, mesmo depois de 3 anos passados, extrema euforia. Nesse momento, te descobri. Te encontrei. Ocorreu tudo tão naturalmente quanto o nascimento de um flor de lis em campos verdes. Depois de tanto tempo de uma amizade igualável apenas à uma amizade paterna ou materna, quem diria que tudo se transformaria numa linda e harmônica paixão.

love-earth    Sempre te via sorrindo, então imaginava você ao mundo. Você o era. Não demorava a me pegar pensando em ti, escrevendo na cadeira escolar teu nome ao rabisco de uma caneta falha, te desenhando na imaginação as imagens de uma silhueta refletida no mar. Lembra-se das 4 horas perdidas em uma única ligação? Das noites ao frio em frente à sua casa, aquecendo-nos com carícias e beijos sem perceber a hora que se passava. Das ligações que deixávamos de atender apenas para podermos aproveitar mais os nossos momentos. Das noites escuras em que andávamos pela cidade e sentávamos nos bancos para simplesmente comentar a vida alheia e, quase sempre, chegávamos cada um em sua casa, comigo sempre regado à bate-boca com a minha amável colhedora de sementes, minha mãe. Aliás, não bastava este como motivo. Altas contas no telefone móvel, acordar cedo apenas para mandar-te uma simplória mensagem, escrita: “Eu te amo”, ou por chorar aos cantos por estar longe de ti eram outros motivos para que Ela não entendesse.

   O dia em que mais chorei foi na cidade praiana. No começo, foram os melhores momentos da minha vida. Ríamos ao ler placas de forma errada, bebíamos a toa para comemorar a liberdade e a vida. Um momento mais inesquecível foi quando você deitou-se sobre me colo, no banco em frente ao mar e dormiu. Fiquei ali, horas, observando-te a beleza. Agradecia à Deus por você estar ali. Rezava para nunca te perder. Olhei para o céu e consegui ver um sorriso pelas estrelas. Mas alguma coisa nos atropelou. Em um dia chuvoso, brigávamos feito cão e gato, discutindo seriamente nossa relação. Tocava aos fundos a música “Quando a Chuva Passar”, combinando com o cenário, seguida da “Deixa Chover”, do Natiruts. Digo que foi o dia mais estúpido da minha vida. Foi neste dia que retirei minha aliança. Mas não deixei de falar a frase que repetia todos os dias olhando-te os olhos: “Te amo”. Não deixando, também, de dizer: “Eternamente”.

   Foram tantos momentos incríveis que passamos juntos! Mesmo nos momentos difíceis, Deus enviava-nos um anjo para abrir nosso caminho, como na volta para a cidade, de ônibus. Páramos para um lanche na estrada. Neste momento, estávamos ainda em atrito e não parava de escorrer lágrimas em nossos olhos. Uma senhora nos olhava. Veio em direção e ela te disse palavras lindas e que o nosso futuro à Deus pertence. Não teria sido a primeira pessoa a desejar-nos felicidades futuras. Na escola, a história se repetia em todos os professores e coordenadores.

Princess_of_Shadows(2)    Voltando um pouco, lembras de como éramos no colegial? Dois pré-adolescentes, tímidos mas simpáticos. Nos conhecemos e logo nos tornamos amigos inseparáveis. Com você obtive a fidelidade, a amizade, a confiança, o amor e, principalmente, a experiência. Íamos abraçados às festas e encontros escolares. Vivíamos juntos, independente de intrusos. Talvez os dois já possuíam o amor maior que amizade, mas continuávamos como éramos. O dia que teríamos nos afastados aconteceu, mas para o bem. Aconteceu em uma festa de uma amiga e não é necessário falar o motivo. Mas, neste dia, senti o primeiro aperto no coração. Ainda guardo a carta em que pedi desculpas: “Amor, me desculpe por qualquer coisa que falei ou fiz que não deveria ter falado ou feito… Você sabe que sempre brinco com as pessoas! Te amo.”.

   Por falar em cartas, essa não é a primeira que escrevo para ti. Talvez seja a 10°, mas é a segunda que tive coragem de deixar guardada e não queimá-la. Sempre que terminava uma, lembrava-me do seu rosto, seu sorriso, suas palavras, pensando que nunca mais ia conseguir ter tudo isso novamente. Rasgar a carta era mais um momento “Quero recomeçar minha vida e te esquecer” que, afinal, não dava certo. A primeira que não tive coragem de rasgar foi a que montei para você e enviei-lhe por uma amiga, no dia 18 de março de 2007. No outro dia, a recebi por outra amiga, sem resposta alguma. Entendi como um “basta” e tentei seguir minha vida normalmente, mais uma vez. Não consegui. Então é por isso que estou escrevendo mais esta.

   Ainda guardo a aliança que nos juntou. Lembro-me onde as comprei, em uma loja do shopping da cidade. As colocamos perto do outro shopping, prometendo-nos amor eterno. E este era mais um dia que eu poderia julgar feliz em minha vida. Também não esqueço do ursinho de pelúcia que lhe dei. Não sei se ele está ainda em bom estado, ou esquecido, mas ele foi o companheiro das suas noites de sonho em que eu não podia estar presente. Também não esqueço do par de brinco e a pulseira de prata que lhe entreguei, da bermuda e dos presentes que você me deu, guardados com carinho. Aliás, a camisa que ganhei, a camisa mais linda, utilizei poucas vezes. Todas com você. Desde que nos separamos, só a tive coragem de utilizar uma única vez: na minha festa de formatura. O motivo: saberia que você estaria lá.

Princess_of_Shadows    Poucos momentos digo que são tão felizes a ponto de erguer um sorriso entre orelhas. Minha formatura foi um destes momentos. Estava confiante de que na festa poderia ter a chance de te rever. Coloquei meu melhor perfume, a melhor roupa e a camisa que só usei com você. Realmente, te vi. Estava linda como uma princesa esperando a visita de um príncipe. Então, no mais rápido momento, meu sorriso desmanchou. O príncipe não era eu. Te vi com seu ex-namorado antes de mim. O mundo desmoronou. A festa parou. As luzes se apagaram. Momento de desespero, me senti um copo plástico com resto de cerveja jogado ao canto, sem a menor importância. Comecei a perceber melhor o mundo e a vida.

   Decidi, depois de tanto sofrimento, ir atrás do meu sonho. Como diria os mais velhos: “O que é do homem o bicho não come”. Não desistirei de você, nem que demore a eternidade para te encontrar, nem que precise mover montanhas ou abrir oceanos, nem que precise me matar para isso… Apenas um motivo pode me impedir de te amar: ouvir, vindo de suas próprias bocas e lindos beiços, que não me amas mais. Nesse momento, não teria mais motivo para te procurar. Não possuiria mais objetivo. Não teria mais motivo para estar na Terra.

Diga uma opinião:

Atenção: Os campos em negrito são obrigatórios. Seu email não será revelado para outros usuários e não será utilizado em listas de spans ou newsletters. Os comentários com conteúdo irrelevante, com palavras improprias ou com caráter agressivo serão excluídos sem qualquer aviso.


Tags disponíveis: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Gravatar
Henrique:


CHOREI !..

DE RIR !!!
:-) :D